sábado, 30 de maio de 2015

CULMINÂNCIA DO PROJETO: NOSSO LIXO DE CADA DIA


APRESENTAÇÃO DA PEÇA:

Se o lixo falasse...

NARRADOR:
Na cidadezinha havia somente um supermercado. Sempre que começava um novo dia, as embalagens dos produtos que lotavam as prateleiras aguardavam ansiosas pelo seu destino; apodrecer no lixão. Nesse lugar, o sonho de sobreviver por meio da reciclagem estava fora de cogitação.
Numa bela manhã, antes de abrir o supermercado, o que se ouviu foi um triste desabafo das embalagens.
EMBALAGEM DE FEIJÃO
- Eu não quero terminar num lixo... É muito sujo e cheira mal. O tempo demora a passar.
LATA DE SARDINHA
- Eu também não! É horrível conviver com ratos, baratas, moscas e urubus
SUCO DE UVA
- É muito triste apodrecer quando poderíamos ser reaproveitadas. Não entendo como seres tão inteligentes como os humanos ainda nos tratam assim. Quando irão aprender que nem tudo o que parece lixo é lixo?
EMBALAGEM DE ÓLEO
- Será que não perceberam que as futuras gerações também irão necessitar desses mesmos recursos naturais? Os humanos  vão acordar somente quando não aguentarem conviver com as montanhas de lixo que produzem? Assim o planeta não resiste.
EMBALAGEM DE DETERGENTE
- Concordo com você. E mesmo se o nosso destino fosse o aterro sanitário, que não é o caso desta cidade, de que adiantaria? No aterro sanitário apenas não poluiríamos tanto a atmosfera e nem os mananciais.
EMBALAGEM DE LEITE
- É, mas nem todos eles são construído dentro dos padrões estabelecidos pelas normas ambientais. Alguns aterros sanitários se contentam apenas em cobrir-nos com camadas de terra.
LATINHA DE ALUMÍNIO
- Não fiquem tristes. Vamos esperar que um dia alguém desta cidade acorde pra coleta seletiva e a reciclagem.
SACOLINHA PLÁSTICA
- Alguém? Será que existe alguém?
- Ei! Quem de vocês já conseguiu escapar do lixão alguma vez?
ALGUMAS EMBALAGENS
Eu, eu  eu
SACOLINHA PLÁSTICA
- Como conseguiram?
SABÃO EM PÓ
- Eu já consegui escapar várias vezes. Tive a sorte de ser comprado por uma pessoa que fazia a separação do lixo reciclável.
SACOLINHA PLÁSTICA
- Que sorte a sua hein?
SABÃO EM PÓ
- Com certeza. Mas isso aconteceu em outra cidade onde se fazia a coleta seletiva
CAMISETA
- Posso falar, posso falar? Eu já fui garrafa pet. No processo de reciclagem, me derreteram fazendo com que eu voltasse a ser matéria prima. Depois me transformei em fios de poliéster, em malha e, finalmente, nesta camiseta.
TODOS
Que legal! Parabéns!
NARRADOR
Naquele momento, a grande preocupação das embalagens era encontrar uma saída para se livrarem do lixão.
SACOLINHA PLÁSTICA
- o que precisamos fazer é descobrir uma maneira de mudar a mentalidade das pessoas desta cidadezinha.
GARRAFA PET
- Posso falar, posso falar?
- Eu tive uma ideia luminosa.
- Ouvi falar de uma escola que, graças ao trabalho dos professores e alunos, consegui que toda a população da cidade se envolvesse num projeto audacioso de coleta seletiva. Inclusive acabaram com o lixão da cidade.
- Como sabem nenhuma família se preocupa com a questão do lixo, Mas eu conheço uma que poderia nos ajudar com isso.
NARRADOR
Tudo começa no momento em que o Pedrinho se preparava para jogar uma garrafa PET de guaraná, vazia, na lata do lixo de sua casa. Foi nesse momento que a garrafa aplicou seu golpe de mestre dizendo:
GARRAFA PET
- Pedrinho, preciso muito falar com você.
PEDRINHO
- Quem está falando?
GARRAFA PET
- Eu, a garrafa PET que tem em mãos.
NARRADOR
O menino, na hora empalideceu e não acreditou no que ouvira. Por pouco não desmaiou.
PEDRINHO
- Você fala ou eu endoidei?
GARRAFA PET
- Você não endoidou, não. O que está ouvindo é a voz da sua consciência. Sabe, eu preciso muito da sua ajuda.
PEDRINHO
- Minha ajuda?
GARRAFA PET
- É. Eu e todas as embalagens não entendemos como pessoas tão inteligentes como vocês nos tratam como se fôssemos lixo.
PEDRINHO
- Se não são lixo, o que são então?
GARRAFA PET
- Eu e minhas amigas somos importantes recursos naturais. Podemos ser úteis por muito tempo ainda. Sabe, é muito triste sermos tratadas como lixo.
PEDRINHO
- E o que eu posso fazer?
GARRAFA PET
- Por que não conversa com seus pais, sua irmã e depois com sua professora e colegas pra refletirem um pouco sobre o que estou lhe dizendo? Tratando-nos como lixo, nosso fim será o lixão, já pensou? È muito triste estar numa hora dentro de sua geladeira e depois ser jogada num lixão imundo...
NARRADOR
- Aquilo que Pedrinho menos imaginava começou de repente a fazer parte de sua vida encarar o lixo de maneira diferente. Aos poucos ele foi se familiarizando e abraçando essa causa importante.
O primeiro passo seria conscientizar a sua família. Mas, para isso, deveria aguardar o momento certo. Um dia, no supermercado com a mãe, surgiu a oportunidade.
PEDRINHO
- Mãe, por que as prateleiras do supermercado estão cheias de lixo?
MÃE
- Tá ficando maluco? Onde está vendo lixo? Não vejo nenhum.
PEDRINHO
- Tem sim, mãe.
- Vou mostrar que tenho razão. Quando a senhora descarta uma embalagem de vidro, de lata, de plástico ou de papelão, que nome lhe dá?
MÃE
- Lixo, ora bolas!
PEDRINHO
- Então, qual a diferença entre todas essas embalagens que a senhora está vendo aqui e aquelas que joga fora?
MÃE
- Uma grande diferença. Essas que estão aqui nas prateleiras não estão vazias, e aquelas que jogo fora estão. E, pra mim, embalagem vazia é lixo.
PEDRINHO
- Mas as embalagens que a senhora descarta e chama de lixo são iguais às que estão aqui contendo o produto.
MÂE
- E dai, onde quer chegar com essa ideia maluca?
PEDRINHO
- Que todo lixo que não é reciclável. Por exemplo: papel higiênico, guardanapos, lenços de papel usados, sujeira resultante da varrição da casa, restos de comida... Os recicláveis a senhora separa.
NARRADOR
No dia seguinte surgiu a oportunidade de uma conversa com o pai. No momento em que ia descartar outra garrafa PET de guaraná, ele aproveitou para entrar no assunto.
PEDRINHO
- Pai, o que faço com essa garrafa PET vazia?
PAI
- Mas que dúvida? Jogue-a na lata de lixo.
PEDRINHO
- Por quê?
PAI
- Porque lugar de lixo é no lixo.
PEDRINHO
- Então para o senhor garrafa PET é lixo?
PAI
- Senão é lixo, então o que é?
PEDRINHO
- É garrafa PET, um recurso natural, com ou sem refrigerante. Por isso vou coloca-la nessa lixeira de resíduos descartáveis recicláveis.
A partir de agora nossa família vai começar a colaborar com a melhoria de vida da nossa cidade e com a preservação do planeta em que vivemos.
NARRADOR
Maria Eduarda, a Duda, não era nada legal com Pedrinho. Gostava de provocá-lo dizendo para todo mudo que jogava futebol melhor do que ele, que tirava melhores notas... Não era fácil para Pedrinho aguentar tanta provocação.
Num sábado à noite, ao terminar de comer uma pizza, Pedrinho ouviu Duda dizer:
DUDA
- Mãe, vou colocar a pizza que sobrou na geladeira.
NARRADOR
E guardou a caixa com os pedaços de pizza que haviam sobrado.
No domingo, depois de comerem os pedaços de pizza, Pedrinho ouviu novamente a irmã dizer:
DUDA
- Mãe, onde coloco esta caixa de pizza? A lata de lixo está cheia.
PEDRINHO
- Duda, sabia que ontem você colocou lixo na geladeira?
DUDA
- Ficou maluco? E desde quando eu coloco lixo na geladeira? Ô mãe, o Pedrinho disse que eu coloquei lixo na geladeira. A senhora não faz nada?
PEDRINHO
- Você não acabou de disse que a lata de lixo está cheia? Por que ia colocar a caixa na lata de lixo?
DUDA
Porque lugar de lixo é no lixo.
PEDRINHO
Está dizendo que essa caixa de pizza que você segura na mão é lixo?
DUDA
- E não é?
PEDRINHO
- Bem, se ela é lixo, ontem você colocou lixo na geladeira.  Acontece que, com ou sem pizza, ela continua sendo a mesma caixa, o mesmo papelão, E se não sabe, papelão não é lixo, é recurso natural e, como  tal, deve ser reciclado e reaproveitado.
NARRADOR
Chegou o dia de Pedrinho e Duda encararem a professora e os colegas... O momento escolhido foi na hora do recreio.
PEDRINHO
- Professora, precisamos conversar, sobre um assunto muito importante.
NARRADOR
Pedrinho e Duda foram contando tudo o que estava acontecendo... No final, sugeriram que a professora desenvolvesse um projeto na escola sobre coleta seletiva e reciclagem. E que a escola realizasse um movimento para acabar com o lixão da cidade. Alguns colegas que estavam por perto e escutavam a conversar acharam a ideia estapafúrdia e começaram a proferir piadinhas maldosas. Outros porém, até que gostaram da ideia. A professora, impressionada com uma proposta tão ousada, ficou sem saber o que dizer, mas prometeu que iria pensar no assunto.
Em casa, no momento em que Pedrinho e Duda iam colocar outra garrafa PET na lixeira de descartáveis, outra ouviram novamente a voz.
GARRAFA PET
Muito bem meninos, se saíram ótimos.
PEDRINHO
- Será mesmo? Vários colegas riram de mim.
GARRAFA PET
- Não dê importância. Com o tempo eles também entenderão e o apoiarão.
NARRADOR
Passados uns dias, a professora chamou Pedrinho e Duda.
PROFESSORA
- Pensei seriamente na proposta do projeto que me sugeriram. Inclusive falei com a diretora, a coordenadora e outros professores. Sabe o que eles acharão?
DUDA
O que?
PROFESSORA
- A escola toda resolveu abraçar o projeto da coleta seletiva e da reciclagem e realizar também um movimento para acabar com o lixão da cidade.
NARRADOR
Pedrinho e Duda, num ímpeto de alegria, abraçaram a professora e começaram a gritar:
PEDRINHO E DUDA
Conseguimos! Conseguimos!
VIVA A COLETA SELETIVA!
TODOS: VIVA!
VIVA A RECICLAGEM!
TODOS: VIVA!
VIVA NOSSA ESCOLA!
TODOS: VIVA!

Ornamentação da sala








Um comentário:

  1. Neste novo ano estou a tentar visitar todos os amigos da Verdade Em Poesia afim de lhes desejar um 2016 muito feliz cheio de grandes vitórias e muita saúde e Paz.
    António.
    Ps. Tive de seguir novamente pois estava a seguir sem foto.

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